Famosos, porém perdidos.
Hoje, ao chegar à agência, peguei o jornal para dar seqüência a minha rotina informativa e dei de cara com uma nota assustadora: Papa Bento XVI diz que os “malvados” querem destruir os valores humanos. Fiquei bastante curioso para saber quem seriam os discípulos de Lúcifer que têm atormentado a cabeça do principal líder católico do planeta. Corri para a matéria e comecei a catar, linha por linha, os nomes dos “demoninhos” que, a partir desta declaração, podem cair nas graças da mídia, tornando-se os mais novos artistas não-mundanos. Quem sabe eles não formam um grupo com o nome de The Five Demon? Talvez gostem de música e resolvam lançar um CD com hits de sucesso, a fim de ganharem milhares de fãs, capazes de fazer muitas coisas para ter um pouco de atenção dos seus ídolos. Inclusive entregar-lhes a alma. O que acontece é que não vi, em momento algum da matéria, a lista dos “malvados” comentados pelo Papa. Será que ele não citou a relação por motivo de força maior? Afinal, essa força está representada em Deus. E quem é o Papa senão o seu maior seguidor, o representante na terra do reino do Senhor? Aposto que Ele ficaria chocado se Bento XVI resolvesse revelar os nomes dos inimigos do céu. Isso atrapalharia as investigações da Força de Inteligência Divina, que desde antes da criação da Terra procura por aquele lá de baixo e seus discípulos. Por onde será que anda o tal grupo condenado pelo Papa? Quantos serão? Não estariam eles reunidos no próprio conclave, realizado meses atrás, até o momento final do “Habemus Papam”? É bem capaz de viverem por ali, a rondar a Capela Sistina, perseguindo bispos e conduzindo católicos ferrenhos a loucuras inimagináveis. Talvez sejam eles - os “capetinhas” - os responsáveis pela implantação dos questionáveis valores do catolicismo. Apesar de serem seguidores de Cristo, um homem que sou fã, a maioria dos católicos não segue a risca os seus ensinamentos. Para falar a verdade, meu sexto sentido não deixa que eu confie nem no próprio Papa. Não gosto da sua aura. Não vejo bondade no seu olhar. Torço bastante para que eu esteja enganado. Você já pensou? Um Bento XVI vendendo bilhões de CDs com músicas conservadoras, anti-liberdade, caretas, preconceituosas? Não, por Deus não. De artistas religiosos que se aproveitam da fé – um sentimento desprovido de intenções neoliberais – e dos “animaizinhos” como instrumentos para atrair milhões de compradores e bombar na mídia, basta o Padre Marcelo Rossi.
Um abraço a todos.