Falar de casamento é complicado. Principalmente para quem vive num país extremamente católico como o nosso. Mesmo assim, resolvi expressar-me sobre o assunto. Mas sem agredir ninguém. Afinal, não quero sofrer nenhum tipo de repressão ou ganhar inimizades. A questão é que, ao meu ver, a festa de casamento é um verdadeiro teatro. Uma peça estrelada por atores fantásticos, e que nunca saiu de cartaz. Se já foi a um casório, você há de convir que ele pode ser visto tranqüilamente como uma encenação hilária. Uma comédia que, ao contrário do que muitos pensam, possui diversos protagonistas. Além dos “pombinhos apaixonados”, os padrinhos engomados e os pais dos noivos, há também os amantes encubados, o padre prolixo, as chatas que choram o tempo inteiro e as encalhadas. Estas últimas, atrizes de primeira, que interpretam com grandeza as suas personagens. Elas, sem precisar do auxílio de dublês, costumam tropeçar umas nas outras - se estapeando de forma voraz - a fim de agarrar o elemento mais cobiçado de qualquer festa de casamento: o bouquet da noiva. Para as encalhadas, casar é uma obrigação. Se o marido for bonito, rico e inteligente, então, melhor ainda. Certo dia, conversando com um amigo, soube de um caso em que uma mulher quebrou o salto da outra na hora da disputa pelo “precioso”. Depois do desastre, arrancaram os cabelos, quebraram as unhas, borraram a maquiagem e uma delas rasgou o vestido, comprado seis meses antes, especialmente para a festa. Um detalhe interessante é que, após a batalha, o bouquet ficou intacto, tornando-se ainda mais sagrado, devido ao seu poder mágico, que resistiu a um duelo típico dos medievais. Outra cena comum, e muito engraçada no casamento, é a cara de tensão do noivo. Enquanto os convidados acham que ele está nervoso por motivos considerados “corretos” - ansiedade, talvez - o coitado se corroe por completo devido ao desespero. Naquele momento é a sua liberdade que está em jogo. A partir dali a vida dele sofrerá uma transformação irreparável. E por mais que haja um divórcio no futuro, o “tsunami” deixará o seu estrago. Mas, na maioria dos casos, ele se sai bem. Só depende de uma boa direção para que interprete seu personagem com louvor. Para concluir, vale ressaltar a parte da peça em que a mãe da noiva tira um pedaço do bolo com a intenção de guardá-lo por muitos anos. Tudo para que o casamento da filhinha querida seja duradouro, sirva de exemplo e agrade o público espectador. Palmas para o casório.
Um abraço a todos.
|
|
||||
|
||||
|
||||