Esta é a dúvida que mais tem me atormentado nos últimos meses. Tenho pensado bastante no assunto. Mas não consigo desvendar de forma alguma o segredo para o que quero: encontrar a melhor maneira de criar uma música. Creio que perguntar a si mesmo sobre o que deve ser feita primeiro, a letra ou a harmonia, é algo comum na vida de um compositor em formação. Muitos músicos experientes dizem que não existem regras. Varia. Às vezes uma vem antes. Outras vezes ocorre o inverso. Até criações com as duas agindo juntas acontecem em certos casos. Se a melodia for bonita e transmitir uma sensação intrigante – independente do tema que mais se aproxima – vale a pena conservá-la para uma ocasião especial. Um momento em que o assunto feito para ela chegará, impulsionando a sensibilidade do autor e sua análise do tema escolhido. O mesmo vale para a letra. O problema é que ambas, até para aqueles reconhecidamente vistos como talentosos, não chegam com tanta facilidade. Pergunte a Chico se as coisas fantásticas que faz surgem todos os dias. Será que Gil possui um estimulante cerebral que o deixa sempre pronto para criar a qualquer momento? E Vinicius, possuía uma alma abençoada, dotada de um dom mágico? Certamente, não. Os grandes compositores se divertem com o que fazem, têm uma sensibilidade aguçada, são bons de verdade. Mas também ralam bastante para dar origem a canções de tanta qualidade. Ah, como gostaria de conversar com todos eles. Tomar uma cerveja num boteco. Tirar milhares de dúvidas. Descobrir macetes. Quem não gostaria... Porém, acho que nem os maiores dos mestres achariam uma resposta exata para minha pergunta. Aliás, acho que se um dia eu tivesse a oportunidade de questioná-los sobre qual o segredo para criar grandes músicas, eles diriam: “Bota pra fora, meu filho... Bota pra fora...”
Um abraço a todos.
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